LUTAS
FEMININAS

A trajetória das mulheres pelo tempo

Linha do tempo

Ao longo da história, as representações da maternidade foram influenciadas por fatores sociais, culturais e religiosos, bem como pelas condições socioeconômicas e políticas das sociedades em que se inseriram. As conquistas femininas e a independência das mulheres estão significativamente atreladas a essas mudanças no conceito de maternidade. Por exemplo, você sabia que durante a Idade Média era comum a prática do infanticídio e do abandono de crianças pelas próprias mães? Além disso, até o século XVII várias mães mandavam os seus filhos para serem cuidados por amas-de-leite. 

Na linha do tempo abaixo, podemos observar fatos ao longo da história do Brasil que tiveram uma participação importante para a emancipação feminina e para a construção do conceito de maternidade que conhecemos hoje.

1808

Surgem as primeiras atividades industriais e a igreja passa a exercer ainda mais influência.

Trechos da lei de 1827: currículo escolar mais enxuto para as meninas.
Fonte: Arquivo Nacional

1827

Foi permitido que as mulheres começassem a frequentar escolas, para estudar além do ensino primário.

Capa de Direitos das mulheres
e injustiças dos homens, por Nísia Floresta

1832

No Brasil, Nísia Floresta publicou o livro “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”, que questionou, pela primeira vez, o mito da superioridade masculina.

Jornal das Senhoras, n. 43, p. 337, 28/10/1855.
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional

1852

Criação do “Jornal das Senhoras”, o primeiro jornal feito por mulheres e para mulheres. Ele abriu portas para o surgimento de outros jornais com propostas emancipatórias revolucionárias.

Mulheres estudantes. Imagem retirada de:
https://www.mulheresdeluta.com.br/as-mulheres-e-o-acesso-a-educacao-no-brasil/

1872

Mulheres passam a ser aceitas em faculdades.

Selo do Correio do Brasil em homenagem à médica Rita Lobato, lançado em 1887
Fonte: Arquivo pessoal Rita Lobato

1887

Rita Lobato se formou como primeira mulher médica. Ela rompeu paradigmas com o tema da sua tese de conclusão de curso: a Cesária.

Manchete do jornal O Malho sobre a fundação do PRF, em 1910

1910

Criação do Partido Republicano Feminino, que foi responsável por diversas reivindicações e pela movimentação de representantes femininas na política. 

Mulheres trabalham em fábrica de munição militar na Alemanha em 1916. Coleção Arquivo para Arte e História Berlim

1914

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, os homens foram para a guerra e mulheres ao redor do mundo passaram a produzir mantimentos para serem enviados para os campos de batalha. Isso fez com que elas reconhecessem sua capacidade e, aos poucos, começassem a adquirir sua independência por meio da entrada no mercado de trabalho.

Alzira Soriano, a primeira mulher eleita para um cargo executivo no país
Foto: Arquivo Pessoal

1924

Alzira Soriano de Souza, em Lages, foi eleita a primeira prefeita da história do Brasil, no Rio Grande do Norte.

Voto feminino em imagem de arquivo
Foto: TV Globo/ Reprodução

1934

As mulheres conquistam o direito ao voto, independente de renda, origem ou estado civil.

Jornal Quilombo, Teatro Experimental do Negro,
Rio de Janeiro, ano I, n.1, dez/1948

1940

 Iniciou-se mobilizações de gênero e raça, influenciadas pelo jornal Quilombo, vida, problemas e aspirações do negro.

Crianças lendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)
pouco após sua adoção. Foto: © Arquivo ONU

1948

A Declaração Universal dos Direitos Humanos inclui, ao menos na teoria, a igualdade de gênero como um direito fundamental.

1962

Criou-se o “Estatuto da Mulher Casada”, que permitiu que as mulheres casadas não precisassem mais da autorização de seu cônjuge para trabalhar.

1974

“Lei de Igualdade de Oportunidade de Crédito” é criada, com o objetivo que clientes não fossem mais discriminados baseados no gênero ou estado civil, permitindo que mulheres tivessem o direito de portar um cartão de crédito.

Em 1977, senador Nelson Carneiro recebe apoio a projeto sobre divórcio
Fonte: Agência Senado

1977

É aprovada a Lei do Divórcio.

Manchete do um jornal Jornal O Imparcial em 1941
Reprodução: Jornal O Imparcial (1941)

1979

Pela primeira vez desde a Era Vargas, as mulheres obtiveram o direito de praticar determinados esportes, como futebol. Anteriormente, elas eram proibidas de praticar esportes determinados como incompatíveis com as “condições de sua natureza”.

Rosmary Corrêa, a primeira delegada de defesa da mulher em frente à primeira Deam. Foto: Arquivo Rosmary Corrêa.

1985

Criação da primeira Delegacia da Mulher no Brasil.

Fonte: Jornal Tribuna da Imprensa, 1980

2002

Até esse ano, o código civil permitia que os homens solicitassem a anulação do casamento caso descobrissem que a esposa não era virgem. Em 2002 essa lei foi anulada.

Maria da Penha
Foto: Jarbas Oliveira

2006

Instituição da Lei Maria da Penha, criada em homenagem a Maria da Penha, mulher que sofreu violência doméstica por muitos anos por parte de seu marido. Em uma dessas violências, que foi seguida de uma tentativa de homicídio, Maria ficou paraplégica. A Lei criminaliza atos de violências doméstica, física, psicológica e moral contra a mulher.

Ministra Eleonora Menicucci no Plenário da Câmara comemorando a aprovação do Projeto de Lei.

2015

Lei do Feminicídio é aprovada
no Brasil.

Manuela d'Ávila, ex-deputada federal do Brasil
Fonte: Arquivo pessoal

2021

Criação de uma lei que busca prevenir e combater a violência política contra a mulher, sendo essa violência toda ação com finalidade de obstaculizar seus direitos políticos.